Tecnologia da informação: use com ponderação

GESTÃO EMPRESARIAL

Marcelo Garcia

3/13/2026

person using MacBook Pro
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A revolução da Inteligência Artificial vem transformando nossas vidas de forma acelerada nos últimos anos. Confesso que, a cada avanço, fica mais difícil não se impressionar. Estamos cada vez mais próximos de um cenário em que tarefas complexas serão executadas em segundos — bastando, para isso, um “prompt” bem elaborado. Aquilo que antes parecia restrito aos filmes de ficção científica agora faz parte do nosso cotidiano.

Recentemente, uma notícia chamou atenção: milhares de profissionais foram — ou ainda serão — desligados de grandes empresas como Meta e Google. O motivo? A substituição de funções por agentes de IA, capazes de executar tarefas com maior eficiência e menor custo.

Esse movimento, por mais impactante que seja, não é novidade na história da tecnologia. Sempre que há um salto tecnológico relevante, atividades repetitivas e de baixo valor agregado tendem a desaparecer. No entanto, há um ponto mais interessante por trás disso: muitas dessas empresas cresceram rapidamente demais, impulsionadas pela “onda” da inovação. Agora, com maior maturidade, enfrentam o ajuste inevitável — e doloroso — de suas estruturas.

Esse cenário nos remete a outro momento marcante: o início dos anos 1990. Com a popularização dos computadores, empresas investiram fortemente em tecnologia. No entanto, em vez de transformar seus processos, muitas apenas digitalizaram o que já faziam. A máquina de escrever virou um editor de texto — mas o processo continuava o mesmo.

Foi nesse contexto que surgiram as ideias de Michael Hammer e James Champy, criadores do conceito de Reengenharia de Processos. A proposta era direta e provocativa: não informatize — repense, destrua e reconstrua.

A lógica era simples, mas poderosa: antes de inserir tecnologia, é preciso questionar o próprio processo. O que realmente precisa existir? O que pode ser eliminado? Qual é a forma mais eficiente de executar essa tarefa hoje? Só então a tecnologia deve entrar como aliada — e não como maquiagem.

Como já dizia o livro de Eclesiastes:
"Não há nada novo debaixo do sol."
Ou, em uma versão mais contemporânea, Cazuza:
"Vejo um museu de grandes novidades."

A reflexão é clara: inovação de verdade não está na ferramenta, mas na forma como pensamos e estruturamos o que fazemos.

Por isso, o uso da tecnologia da informação exige algo raro nos dias atuais: ponderação.
O impulso natural é correr para aplicar o que está em alta, seguir tendências e replicar movimentos do mercado. Mas sem análise crítica, isso pode gerar mais custo do que resultado.

É exatamente nesse ponto que a consultoria estratégica ganha relevância. Um olhar externo, com experiência prática e domínio de métodos de gestão, permite identificar o que realmente faz sentido para cada empresa — evitando desperdícios e acelerando resultados de forma consistente.

No fim, a tecnologia é apenas um meio.
A verdadeira vantagem competitiva continua sendo a capacidade de pensar melhor antes de agir.