Vida longa ao Dilbert!
GESTÃO EMPRESARIAL
Marcelo Garcia
3/13/2026


No dia 13 de janeiro, o mundo corporativo perdeu uma de suas vozes mais ácidas e, ao mesmo tempo, mais lúcidas: Scott Adams, criador do icônico personagem Dilbert. Sua primeira tira foi publicada em 1989 e, desde então, passou a retratar — com humor afiado — o cotidiano das empresas.
Mesmo após sua partida, o legado permanece vivo, seja em livros como O Princípio Dilbert, seja nas inúmeras tiras que continuam circulando na internet e redes sociais.
Adams construiu sua obra observando o que muitos preferem ignorar: situações absurdas, decisões questionáveis e práticas que, embora pareçam ilógicas, são incrivelmente comuns dentro das organizações.
Uma de suas ideias mais conhecidas — e também mais provocativas — afirma que empresas tendem a promover seus profissionais menos competentes para cargos de gestão, justamente para limitar os danos que poderiam causar em posições técnicas. É uma visão dura, até desconfortável. Mas sejamos honestos: quem nunca presenciou algo parecido?
Esse tipo de percepção não surge do nada. Ela nasce da vivência real. Quantas vezes já vimos profissionais sendo promovidos sem preparo, decisões sendo tomadas sem critério ou reuniões acontecendo sem objetivo claro? O próprio ambiente corporativo, muitas vezes, cria essas distorções — e as perpetua.
Mas então surge a pergunta inevitável:
se Dilbert expõe tantas falhas, por que desejar “vida longa” ao personagem?
A resposta é simples — e necessária.
Porque precisamos continuar denunciando o que não funciona.
Dilbert não é apenas humor. É um espelho. Um alerta constante sobre práticas que, se não forem questionadas, acabam sendo normalizadas. E o risco não está apenas em rir dessas situações, mas em começar a aceitá-las como padrão.
Curiosamente, muitos dos cenários retratados nas tiras continuam extremamente atuais. Demissões em massa, decisões tomadas com base em indicadores superficiais, falhas de comunicação e desperdício de recursos ainda fazem parte da realidade de muitas empresas.
Nada disso é novo — apenas se repete, com novas roupagens.
E é exatamente aqui que entra um ponto crucial: consciência.
Empresas que evoluem são aquelas que conseguem olhar para si mesmas com senso crítico. Que não se deixam levar por práticas ultrapassadas apenas porque “sempre foi assim”. Que questionam, ajustam e melhoram continuamente.
Nesse contexto, a consultoria de gestão se torna uma aliada estratégica. Um olhar externo, técnico e imparcial, capaz de identificar falhas que, muitas vezes, passam despercebidas no dia a dia.
Mais do que corrigir problemas, o objetivo é elevar o padrão:
definir estratégias claras, estruturar processos eficientes, desenvolver lideranças preparadas e construir equipes realmente capacitadas.
No fundo, a mensagem é simples:
Se a sua empresa parece uma tira do Dilbert… talvez não seja coincidência.
E talvez seja exatamente o momento de mudar isso.
Que tal começarmos essa conversa?


